dez
2011
Eu sou o tipo de garota que não consegue fazer nada pela metade, sem me doar por completo. Quando algo merece a minha atenção, me tem de todas as formas possíveis, ao extremo.
Quando ouço uma banda, meu player é só dela durante semanas.
Quando amo alguém é no mínimo para durar anos-luz, tá aí meu namoro de 6 anos pra provar.
Quando eu sou amiga de alguém geralmente é pra vida inteira se a vida não encher o saco com surpresas desagrádaveis.
Ah, as surpresas da vida.
Quando comecei o Gatos e Cérebros em 2009 eu sempre pensei em fazer algo diferente, com conteúdo autoral que viesse do fundo da minha cabeça confusa. Eu estava cansada de ler notícias replicadas de sites gringos pra falar dos quadrinhos que haviam me seduzido de verdade a pouco tempo. Me irritava a falta de profundidade pra falar de música, cinema e essas coisas que a gente ama tanto. Mas quando me refiro a profundidade eu não quero dizer SOU CULT. Eu sinto falta de gente que dê sua opinião de verdade e se divirta com isso. Que misture suas próprias experiências com o enriquecimento que todas as formas de artes possíveis podem trazer. Então resolvi fazer do meu jeito.
Eu levava o blog a sério. Muito. Exatamente por ter tanto de mim nos textos. Eu não queria ser problogger fodona, mas todo o tempo que eu levava desenvolvendo os conteúdos me forçou a isso. É o mínimo que eu acho que mereço em troco do meu esforço, oras. E não foi pouco. Foram muitas brigas com todas as camadas de pessoas que envolvem a minha vida porquê eu sempre acreditei que poderia dar certo. Começou a dar, só que…
Só que a vida é engraçadinha. Mais do que eu gostaria. E te cobra de coisas que você não tem como fugir.
Foi então nesse ano que essa pequena criança que alimentei com as minhas palavras e meu suor por tempo suficiente pra chamar de amorzinho foi abandonado. Eu não conseguia me dedicar a algo tão valoroso pra mim se não fosse por inteiro. A vida não me deixou ter um filho assim, antes da hora.
A inanição toda desse lugar aqui fez a ideia morrer. Não dá pra negar, afinal. É preciso aceitar que o Gatos e Cérebros perdeu a pouca força de seu nome e entrou em estado de narcolepsia.
O que eu quero dizer é o óbvio: não vai mais ter Gatos e Cérebros, pelo menos por um bom tempo. Já não tinha mesmo, então a diferença que isso fará na sociedade mundial da blogosfera será nenhuma. Só posso dizer que esse meu filho ficará aqui, nesse estado vegetativo zumbificado, esperando um pouco de alimento de vez em quando só pra subexistir.
Só quero dizer que hoje eu me sinto mais burra e que isso daqui sempre fará falta pra mim.
Até 2013, filho. Voltaremos a conversar. Amo você e não deixarei de pagar sua hospedagem, religiosamente.
A vocês, obrigada pelos peixes e nos vemos em breve.


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