26
dez
2011
Eu sou o tipo de garota que não consegue fazer nada pela metade, sem me doar por completo. Quando algo merece a minha atenção, me tem de todas as formas possíveis, ao extremo.

Quando ouço uma banda, meu player é só dela durante semanas.
Quando amo alguém é no mínimo para durar anos-luz, tá aí meu namoro de 6 anos pra provar.
Quando eu sou amiga de alguém geralmente é pra vida inteira se a vida não encher o saco com surpresas desagrádaveis.

Ah, as surpresas da vida.

Quando comecei o Gatos e Cérebros em 2009 eu sempre pensei em fazer algo diferente, com conteúdo autoral que viesse do fundo da minha cabeça confusa. Eu estava cansada de ler notícias replicadas de sites gringos pra falar dos quadrinhos que haviam me seduzido de verdade a pouco tempo. Me irritava a falta de profundidade pra falar de música, cinema e essas coisas que a gente ama tanto. Mas quando me refiro a profundidade eu não quero dizer SOU CULT. Eu sinto falta de gente que dê sua opinião de verdade e se divirta com isso. Que misture suas próprias experiências com o enriquecimento que todas as formas de artes possíveis podem trazer. Então resolvi fazer do meu jeito.

Eu levava o blog a sério. Muito. Exatamente por ter tanto de mim nos textos. Eu não queria ser problogger fodona, mas todo o tempo que eu levava desenvolvendo os conteúdos me forçou a isso. É o mínimo que eu acho que mereço em troco do meu esforço, oras. E não foi pouco. Foram muitas brigas com todas as camadas de pessoas que envolvem a minha vida porquê eu sempre acreditei que poderia dar certo. Começou a dar, só que…

Só que a vida é engraçadinha. Mais do que eu gostaria. E te cobra de coisas que você não tem como fugir.

Foi então nesse ano que essa pequena criança que alimentei com as minhas palavras e meu suor por tempo suficiente pra chamar de amorzinho foi abandonado. Eu não conseguia me dedicar a algo tão valoroso pra mim se não fosse por inteiro. A vida não me deixou ter um filho assim, antes da hora.

A inanição toda desse lugar aqui fez a ideia morrer. Não dá pra negar, afinal. É preciso aceitar que o Gatos e Cérebros perdeu a pouca força de seu nome e entrou em estado de narcolepsia.

O que eu quero dizer é o óbvio: não vai mais ter Gatos e Cérebros, pelo menos por um bom tempo. Já não tinha mesmo, então a diferença que isso fará na sociedade mundial da blogosfera será nenhuma. Só posso dizer que esse meu filho ficará aqui, nesse estado vegetativo zumbificado, esperando um pouco de alimento de vez em quando só pra subexistir.

Só quero dizer que hoje eu me sinto mais burra e que isso daqui sempre fará falta pra mim.

Até 2013, filho. Voltaremos a conversar. Amo você e não deixarei de pagar sua hospedagem, religiosamente.

A vocês, obrigada pelos peixes e nos vemos em breve.

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Escrito por:
Larissa Palmieri
Publicitária, senso de humor apocalíptico, nerd feelings, estrupício musical, mulherzinha de blush na cara.
  • 26 de dezembro de 2011 às 9:42
    Corto Maltese disse:

    Pra mim seu blog fará mta falta sim, eu gosto mto dele e sempre venho aqui acompanhar se tem atualização… além disso, não poderiaficar sem agradecer toda a força que vc deu pro meu blog no começo…

    Não fica assim, essas coisas acontecem com todo mundo… Espero que seu filho saia do coma logo e essa novela tenha um final feliz.

    Feliz Natal e um Próspero Ano-Novo Larissa…

  • 26 de dezembro de 2011 às 10:06
    luiza brando disse:

    poxa, espero que algum dia você possa voltar a se dedicar ao blog como gostaria (e como eu gostaria também, pois apesar de não comentar aqui, sempre lia as postagens).
    boa sorte com as viradas engraçadinhas da vida.
    p.s.: admito que quase chorei com esse texto de despedida.

  • 26 de dezembro de 2011 às 10:45
    Liber Paz disse:

    Blogs, quando são vistos assim como uma extensão da gente, como um filho, não podem ser abandonados. A gente dá um tempo, escreve quando aparece uma boa ideia, escreve quando dá na telha.
    Ainda mais quando é um trabalho autoral.
    Por isso esse tipo de proposta não pode ser vista sob as regras de um “emprego”, de um “trabalho fixo”. Quando a gente escreve por prazer, a gente realmente escreve por prazer, e obrigação não tem nada a ver com isso.
    Não se cobre, não se imponha regras desnecessárias. Deixe o blog acontecer naturalmente, ditar o seu próprio ritmo.
    Haverá longos dias sem postagens e de repente você terá um surto criativo e fará 20 posts numa semana.
    A coisa funciona assim, de um jeito orgânico, caótico e imprevisível. A menos que você decida adotar uma disciplina de publicação rígida, com uma agenda a ser cumprida. Um post toda quinta-feira, por exemplo. Mas, aí também haverá os dias sem a menor inspiração, sem a menor vontade, e o prazer de escrever terá se tornado obrigação…
    Enfim, são as escolhas.
    (Ah, uma dica: dá uma lida no livro o Zen e a Arte da Escrita, do Ray Bradbury, que saiu pela Leya. Tem umas ideias bacanas ali sobre esse processo de escrever e ter prazer com isso.)
    Um ótimo 2012 pra vc!

  • 26 de dezembro de 2011 às 12:36
    Diego disse:

    Uma pena, Larissa.

    Eu curtia muito tudo o que você postava no gatos e cérebros. Nunca fui de comentar nada, mas sigo o blog via RSS.

    Como você mesma relatou, o gatos e cérebros era um lugar de discursos sinceros de alguém que lê, assiste e opina aquilo que curte, sem a preocupação dos grandes sites/blogs do gênero patrocinados.

    Bom… se a blogsfera sentirá a falta do gatos e cérebros, não sei responder, mas falo por mim que sentirei falta das suas postagens.

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