mai
2011
Sempre quis falar dessa louca de forma mais detalhada aqui no blog. Tive mil oportunidades desde o início do blog em Setembro de 2009 – o sucesso meteórico dela foi todo nesse período – mas não o fiz. Me lembro de ficar com os dedos coçando quando vi Telephone e suas milhares de referências ao cinema, mas achei que talvez não fosse atender as expectativas de quem lê esse punhado de pixels pretos no fundo branco. Tenho que ter o mínimo de noção na hora de falar de algo e postar aqui, e acho que hoje em dia já posso me considerar gabaritada pra falar da Mother Monster, mesmo que seja só na média.

Gaguita começou nos dando um golfada de ar fresco na mesmice da música pop. Ela apareceu numa geração onde os antigos reis e rainhas da indústria da música começaram a se perder. Uns morreram, outros se afundavam em problemas pessoais. Os que conseguiram passar a barreira da vida privada misturada a pública pouco tinham a acrescentar em novidade. Mesmo as carnes frescas do pop só conseguiam trazer mais do mesmo, com pouco talento musical e muito showbusiness performance e carão nos sites de fofoca.
Foi dos bastidores desse marasmo que a loira oxigenada e de maquiagem mais do que carregada apareceu com seu cd próprio The Fame. Um CD monstruoso, com singles que conquistaram todas as pistas do mundo. Minha preferida é Beautiful, Dirty, Rich, que junto com Just Dance e Poker Face ilustram muito bem o que era a Gaga no começo de sua carreira: uma menina divertida, over e cafona no melhor sentido na palavra. Nessa época eu achava que a música de Gaga não seria nada se não fosse essa personalidade maluca e provocativa. Só mais uma mesmo, que reciclava música dos anos 80. Não que eu tenha mudado esse conceito em relação ao talento de composição dela, mas tudo isso foi meio irrelevante até ver essa mulher no piano tocando essa música aqui:
Eu acho que nem tem muito o que dizer. Gaga é uma artista de verdade que se blinda todos os dias quando sobe nos saltos gigantescos e veste o seu vestido de carne e sua cafonice dos anos 80. E, apesar de pendurar melancias no pescoço, a mulher conseguiu um respeito mosntruoso pelo talento inegável, e principalmente por performar muito bem suas músicas no palco. Gaga consegue cantar de verdade num mundo onde até minha queridinha Britney (isso não é uma irônia, super adoro a menina) não consegue nem mais dançar.
Mas a era do The Fame chegou ao fim amigos. E agora Gaga quer viver a fase preto, branco e profana de Born This Way.
Não preciso nem dizer como é estranha essa fase nova da Lady Gaga. E olha que eu gosto MUITO de coisas estranhas. Mas aquele estranhamento bom é igual aquele que a gente sentiu quando ela sangrou no palco do VMA, sabe. Me refiro a estranheza porque ela mudou muito. Quando eu vi o remix de umas das músicas usadas na campanha do Thierry Mugler, o Anatomy of Change, fiquei muito empolgada. Mas poxa vida, o resto não aconteceu muito bem como o previsto, sabe.
Se a cantora era odiada por muita gente antes, desde que começou a mexer com religião escancaradamente ela ganhou mais haters ainda. Não porquê de fato ela está blasfemando, mas sim por estar tentando demais ser polêmica. Eu particularmente gosto de temáticas mais pesadas e uma vibe mais errada mas o grande público prefere a parte da Lady Gaga que diz we’re plastic but we still have fun. Deve ser difícil demais ser over sem se cansar. Tanto que Gaga descambou pro lado dark (que eu gosto bastante), mas sua música só ficou ainda mais cafona e anos 80. Falta inovação nos singles que a cantora escolheu para o novo cd. Born This Way, Judas e The Edge of Glory mostram que Gaga está mais homenageando as suas próprias origens e suas influências (Madonna, David Bowie) do que criando algo novo, sem assumir extamente isso.

Essa é a traição da real artista que Gaga é. Talvez seja a própria indústria da música cobrando resultados, ou a artista que é uma workaholic irremediável buscando por scores nos charts do mundo todo com sua música, mas Gaga usou fórmulas mais do que prontas e batidas nas músicas de Born This Way que vieram a público até agora. Acho que foi a pressa (?!). Mesmo Government Hooker, que teve um pedaço executado no desfile do Thierry Mugler e que eu adorei, é altamente viciante, é claramente uma música com influência do dark electro de 20 anos atrás somado com elementos de Bad Romance.
Enfim, eu espero mesmo que a Gaguita só esteja passando pela maldição do segundo CD. (Posso considerar segundo cd? The Fame Monster parece parte integrante do The Fame). E todo mundo sabe que ela pode quebrar todas as barreiras do Born This Way. Só estou dizendo.


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