24
jul
2011

Cara, eu tava no twitter esses dias dando uma força pra campanha do site Comic City, o #euleioquadrinhos, que tem a finalidade de tirar das sombras as meninas que, assim como eu, gostam de quadrinhos. Eu poderia escrever uma Bíblia, mas acho que já fui chata e enfadonha o suficiente sobre esse assunto. Eu resolvi falar um pouco mais de mim dessa vez.

Dando uma olhada na hashtag, eu me dei conta que muitas meninas novinhas leem mangá. Não que as que tem a minha idade não leiam, mas eu cheguei a conclusão de que muitas de nós começaram pelos mangás e depois trilham outros caminhos literários. Eu mesma sempre me interessei, desde a minha infância de Cavaleiros do Zodiaco na Manchete e hoje raramente acho algo que me agrada. Coisas como Monster difícilmente são produzidas, ainda mais com o recente boicote criativo que os artistas japoneses receberam do governo.

Um dos grandes problemas da minha vida é que a minha memória é muito ruim e falha. Eu já me esqueci de muita coisa e talvez tudo esteja muito nebuloso já. Mas vou mostrar pra vocês a minha primeira coleção completa de mangá.

Chobits - Coleção

Chobits foi, com certeza, a primeira coleção completa que tive aqui em casa. Sem contar a infinita coleção de Turma da Mônica que tive quando criança, claro. Foi a primeira que comprei em coa parte com o meu dinheiro e também ganhei alguns volumes. Chobits foi um grande *BOOM* na época no meu círculo de amigos e tem um grande significado de transição pra mim. Foi quando eu virei uma viciada em novidades e curiosa que sempre queria saber mais e conhecer mais. Também foi na mesma época que comecei a frequentar os eventos relacionados a esses temas. Tudo isso já tem uns bons 7 ou 8 anos, e mesmo fazendo esse tempo todo eu ainda me sinto relativamente tardia. Tem gente que simplesmente esteve desde sempre viciado nisso ahahah.

Pra quem não conhece, Chobits é um shojo lindo que conta a história de Hideki, um universitário fodido que encontra uma persocon chamada Chi abandonada na rua. Persocon é uma espécie de vida inteligente artificial, que não pode ser encaixada na definição de robô por uma série de razões, que foram criados para atender necessidades humanas, mais sentimentais do que qualquer outra coisa. Nos 16 volumes acompanhamos uma série de fatos cotidianos que se tornam uma grande bagunça quando começamos a vislumbrar que Chi não era somente um persocon abandonado, e sim parte de algo de muito maior.

Chobits - Chi

Eu também não vou negar que não me lembro de muita coisa dessa série devido ao me déficit de memória, mas deu uma vontade imensa de ler do novo.

A concepção do mangá é da Clamp, um grupo mangakas com quatro garotas que destroem na criação de clássicos: X/1999, Chobits, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Sakura Card Captors, Tsubasa: RESERVoir CHRoNiCLE, xxxHolic. Não preciso nem dizer como elas são incríveis, certo? Chobits foi publicado originalmente em 2000 e aqui no Brasil foi publicado no ano de 2003 pela JBC. Já faz um tempo.

E você? Qual foi a sua primeira coleção de quadrinhos? Vou adorar se você me disser nos comentários ;)

Larissa Palmieri
30
out
2010

No último domingo, dia 17/10, eu estive em um dos mais tradicionais eventos de quadrinhos em São Paulo, a Fest Comix. Relizado pela Comix Book Store, uma das maiores feiras de quadrinhos da América Latina chega a 17ª edição no ano de 2010. Mesmo sendo um eventro tradicionalíssimo, foi a primeira vez que fui. Apesar de ser uma frequentadora constante de outros eventos sobre o tema eu não sabia exatamente onde estava o diferencial deste especificamente. Alguns amigos contaram suas experiências em edições passadas, mas nada disso é o suficiente, é o tipo de coisa que você tem que ir ver com os próprios olhos. Então vamos as impressões de como foi a experiência por lá.

17a Fest Comix

Localização

O evento foi realizado no Colégio São Luiz, que fica próximo ao Metrô Consolação na rua Haddock Lobo. É um ponto mais do que positivo, pois, além de estar perto do coração da cidade, não deixa ninguém na mão em termos de transporte público. Quem foi de metrô precisou andar somente uma quadra para chegar até o local, muito fácil de achar. Já pra quem foi de carro (como no meu caso), não foi tão simples assim. Não há muitos locais de estacionamento perto, a não ser aquele ao lado do colégio que custava 18R$. É bom lembrar que você está do lado da Paulista nessa hora. A dica é deixar o carro estacionado perto de alguma estação do metrô que seja distante da Paulista e pegar a Linha Verde para chegar ao local.

Organização

Organização - Fest Comix

Em termos de organização não tenho do que reclamar. Tinham muitos staffs a disposição em todos os setores dos eventos e não vi nenhuma tipo de confusão acontecendo. Um dos únicos problemas da organização foram as atrações, assunto que vou comentar mais embaixo.

Alimentação

Um dos pontos baixos do evento por dois motivos: além de ter poucas opções eram coisas bem caras. Ouvi muitos otakus reclamando do preço do Mupy. Já em alimentação havia somente uma barraquinha na área externa e não era permitido sair do evento para comer em algum lugar próximo e retornar depois.

Atrações

Atrações - 17o Fest Comix

Aqui está um dos grandes problemas da feira, não pelas atrações em si, mas pela falta de informação. Era muito difícil mesmo saber o que estava acontecendo na sala de palestras, nas mesas de autografos e na sala de vídeo. Acho que o maior exemplo foi ter o David Lloyd do meu lado e não ter me preparado pra falar com ele – eu não sabia que ele estaria ali no Domingo. Acho que muito se deve a falta de um hotsite do evento dando orientações e fazendo o processo ser mais simples. O blog deles, onde anunciaram a maior parte das atrações do evento, é muito confuso e infelizmente não resolve essa questão.

Apesar disso a qualidade das atrações foi interessante: nos três dias houveram lançamentos de diversos comics com seus autores presentes para autografar, o concurso de cosplay, a exposição de colecionáveis e a exibição do documentário do Grant Morrison e algumas outras palestras.

Estandes

Estandes - Fest Comix

A maioria dos estandes focava no que a feira não oferecia em abundância: camisetas, toy arts, action figures, games e outras coisas que não são a especialidade da Comix Book Shop. Lá eu vi estandes das lojas Meu Cartão, Limited Edition e de alguns sebos, por exemplo. Também havia muito mais cosias pro pessoal que gosta de mangás e animes do que coisas pra quem gosta de quadrinhos tradicionais, por exemplo. Sem dúvida é o maior público de quase todas as feiras daqui de São Paulo.

Produtos e ofertas

Produtos e Ofertas - Fest Comix

Chega a ser assustador o tamanho do estoque e da variedade de produtos que existem na loja. A feira tinha bastante espaço e estava bem dividida, sendo fácil localizar o que era desejado. Entretanto as ofertas não eram tão generosas quanto eu imaginei que seriam. Encadernados com desconto de no máximo 10 reais e revistas regulares com desconto de no máximo 2 reais. Uma coisa bacana eram os combos de arcos completos separados pela própria Comix, comprei um da Mulher Gato e um do Batman e nesses sim acho que valeu a pena.

Outro detalhe que me chamou bastante a atenção foi a organização dos caixas. Além de numerosos, tinham várias opções de pagamento e havia orientação para em que caixa deveriamos seguir. Um cuidado bacana e que fez toda a diferença.

Acho que o que fica no final é que o Fest Comix é um evento tradicional e não decepciona ninguém na maioria dos seus aspectos. Sempre que houver um Fest Comix vale passear, mesmo que seja só pra dar uma olhadinha nesse paraíso de quadrinhos.

29
ago
2010

Acho que, apesar de ter sido fã de mangás durante boa parte da minha vida, eu falei poucas vezes sobre o assunto aqui. E entre essas poucas vezes está o review do Abara #1.

Eu, que não tinha entendido lhufas da história do mangá, não fui muito atrás pra conhecer detalhes a fundo do autor ou a opinião de outras pessoas. Mas um comentário me fez querer saber mais sobre a o autor, Tsutomu Nihei.

Ele é um escritor e ilustrador japonês que prioriza o conceito cyberpunk nos cenários, nos figurinos e suas histórias em geral não se desenvolvem de forma simples de entender. Talvez nem sejam feitas pra isso. Ele também é autor de outras HQs conhecidas na Europa: Blame!, NOiSE e Biomega. Blame! fez bastante sucesso na Alemanha e chegou a criar um pequeno grupo de fãs.

No caso de Abara #2 é fácil perceber o estilo de Tsutomu. Aqui nós vemos mais elementos cyberpunk: mais fortes do que no primeiro volume: os figurinos dos personagens, uma certa tecnologia primitiva fora de controle e uma cidade vivendo destruição plena.

Abara nº2

Algumas pontas da hisstória são amarradas: entendemos realmente quais são as finalidades dos Gaunas, tanto o branco quanto o negro, e também descobrimos quais são as ligações entre os personagens, que começaram sem explicação. Nada além disso. O que vemos mais é um belíssimo e exótico traço contanto o fim do mundo de um jeito agressivo.

Por fim, acho que Abara é um belo mangá para admirar realmente a arte: os seres estranhos, que lembram robôs, demônios e alienigenas, são cheios de detalhes incríveis. Vale o destaque para o cenário também, que tem vida própria.

Título: Abara
Volume: 2
Valor: R$9,90

Compre Abara #2 no site da Panini

22
ago
2010

Acho que a melhor definição para a Bienal do Livro de 2010 pra mim é: sabe o que é estar no paraíso e ser acometido por uma cegueira bem nessa hora? Foi mais ou menos o que aconteceu comigo.

Neste sábado eu tive uma rara oportunidade de conseguir ir na Bienal. Desde que me lembro, sempre acontecia alguma zica que não me permitia dar o ar da (des)graça por lá. Mas esse ano foi finalmente um breakthrough e lá fui eu, junto com meu paciente namorado. Inicialmente foi tudo bem até chegarmos perto do Anhembi. Optamos pelo estacionamento alternativo logo de cara e nem pensamos muito ou procuramos outras opções. Estacionamentos de locais de convenções como lá são extremamente caros, certa vez pagamos 25 reais em um outro local similar. O único problema é que era LONGE. Muito longe.

Os sapatos assassinos da Bienal do Livro 2010

Os assassinos. Pelo menos sapato de plástico em mim não dá chulé. Era só o que faltava também.

E aí, eu que estou cansada de ser uma menina largada e que anda de tênis o tempo todo, resolvi ir com esse sapatinho lindo que comprei. Sapatinho de plástico. Eu já havia caminhado um pouco com ele antes e não tive nenhum problema sério, mas nós estamos falando da Bienal, quilométrica. E eu andei com esse assassino de pés por muitos e muitos metros. Tive que atravessar até a passarela da avenida que beira ali, e na ida ainda estava tudo bem, na verdade boa parte foi. Apesar da entrada ser caótica e uma desorganização sem fim, o evento era muito mais do que completo. É praticamente impossível conseguir visitar tudo em um dia só. Logo de cara, após um rápida ida ao banheiro e uma rápida refeição, eu e o Gu fomos direito ao estande da Panini, e foi ali que meu pesadelo começou.

A fila quilométrica para a entrada do estande já dava o aviso do que estava acontecendo. Simplesmente um inferno. Estava super cheio em função do sucesso estrondoso da Turma da Mônica, que posso afirmar com mais certeza do que nunca que é o carro chefe da editora. E, passando por álbuns de figurinhas, mangás e tudo mais, lá atrás estava o paraíso de encadernados, a Panini Books. Me detive lá e comprei o Elektra Assassina do Frank Miller, o Guerra Civil com o Mark Millar e o Steve McNiven e alguns dos números que faltavam do meu Crise Final, que me recuso a ler se não tiver todos aqui comigo. Mas acabei de constatar que peguei o nº 2 REPETIDO. Parabéns pra mim, que não percebi que precisava de um checklist decente. Também não tinha o primeiro pra comprar. O único mangá que peguei foi o Abara #2 (fiz um post sobre o #1 aqui) pra matar a curiosidade. Mas o inferno mesmo foi na hora de pagar. Fiquei aproximadamente 1 hora numa fila assustadora e que não andava e nem terminava nunca. Foi aí que meu pé começou a doer, quase desmaiei por causa do calor e fiquei suficientemente irritada pelo resto do dia.

Comprinhas da Bienal :3

Apesar das comprinhas serem deveras satisfatórias, eu acabei nem passando na Comix, o que foi um grave erro e que poderia ser mais proveitoso. Mas na realidade eu entraria em todos os estandes se pudesse. Quem me conhece sabe que sou viciada em livros e revistas, e não poder andar numa Bienal do Livro é um pesadelo. E pensem que eu ainda tive que voltar a pé todo aquele caminho, quase chorando de ódio e de dor.

Agora só em 2012, e de tênis se possível.

Então aprenda com a minha desgraça e veja a lista de lições desse evento:

  1. Avalie todas as opções de estacionamento e condução até lá com antecedência para não sofrer depois com longas caminhadas até o local.
  2. Recarregue a bateria ou pilha da sua camera. (pois é, ainda esqueci esse detalhe)
  3. Coleciona revistas? Leve um checklist de tudo e garimpe em todas as lojas antes de efetuar uma compra final. Vale a pena, principalmente se for em lojas e sebos, não nos estandes das editoras.
  4. VÁ DE TÊNIS. Não preciso nem explicar o porquê né?
  5. Se você tiver a chance, vá durante a semana. A chance de você ter mais paz e menos filas é garantida. 
  6. Levar comida é uma opção inteligente. Se houver locais de alimentação geralmente são caros.
  7. Se você costuma comprar muitas coisas considere levar um carrinho de feira. Sofri vendo algumas pessoas carregando caixas cheias de coisas nos ombros.
  8. Preste atenção em pessoas espertas de olho na sua bolsa. Uma funcionária da limpeza viu que eu dei uma bobeada com a minha e me avisou que tinham duas pessoas roubando bolsas dentro da Bienal.

Se fod@$%!#% e aprendendo né?

6
set
2010

Demorou pra falar de mangás aqui né? Pois é meu amigo, foi por causa deles que eu comecei a ler Sandman, então nunca subestime o poder dos desenhos japoneses.

Já havia algum tempo que eu não comprava mangás. Só que em uma ida a uma banca de jornal (isso é sempre tão perigoso, saio pobre sempre) eu me deparei com a capa de Abara. Como eu gosto de mangás que não são fofos! Sempre são subestimados, mas são os melhores, veja Éden e Monster por exemplo.

Olha só o porque eu me interessei logo de cara:

Abara

Não é pra amar? <3

Enfim, comprei no ato e fui lendo direto. A conclusão que eu cheguei foi um grande WTF.

Em um lugar com uma geografia completamente bizarra, uma cidade se desenvolve acima de algo que é muito mais do que um monte de relevos e montanhas exóticas. Já de ínicio vemos uma pessoa procurando o serviço precário de atendimento para ser atendido com urgência. Sua mão não para de se mexer involuntáriamente. E daí começam a acontecer diversas manifestações de Gaunas pela cidade. Gaunas são criaturas antigas envoltas por um tipo de carapaça inexplicavel.

Gauna Branco - Abara

Isto é um Gauna Branco

A trama corre em volta da Kegenryou (organização vigilante especializada em controlar Gaunas) e seus agentes, o departamento de segurança nacional e de seres estranhos soltos pela cidade. O grande problema desses Gaunas é que eles comem pessoas, muitasao mesmo tempo. Aparentemente estão tentando esconder a todo custo aexistenciadosgaunas, mas como alguns civis se tornaram involuntariamente começa a ficar difícil.

Há uma diferença entre essas criaturas: existem Gaunas brancos e negros, e não entendi nadada diferença entre eles. Talvez no segundo volume seja melhor explicado.

O roteirista e desenhista desse mangá, o Tsutomu Nihei, realmente fezalgo muito denso nas ilustrações. As perspectivas da cidade são incríveis por ter muitos prédios e poços, mas as cenas de batalha dos Gaunas ficam muito difíceis de entender por causa dos milhares de detalhes e da intensa utilização do preto.

Bom, eu ainda quero ler o segundo volume mas eu não entedi quase nada ainda.

6
set
2010

Tenho alguns amigos que gostavam muito de mangás e quadrinhos em geral na adolescência e largaram o vício. Essa vida é deveras complicada, a gente tem que virar adulto e muitos abandonam todas as paixões de antigamente pra ser gente grande.

Se esse é seu caso e você me xingou mentalmente pela alfinetada (ha!) desconte seu ódio em mim naqueles mangás abandonados na sua casa: faça vasos de planta com eles.

MAS HEIN?

Pois é, um japonês muito esperto chamado Koshi Kawachi teve a idéia de reaproveitar mangás esquecidos no fundo da gaveta para plantar feijões! Sabe aquela experiência que todo mundo fez da 1ª série na escola? Então :)

Jardim de Mangás

Pra mim é um sacrilégio, deve ser o mesmo sentimento pra um colecionador de discos de vinil ver um dos bolachões pendurados na parede, mas que fica MUITO legal fica né? Se você fizer em casa não se esqueça de coloca-las no sol, molhar as revistinhas sempre e conversar, afinal plantinhas precisam de muito amor e carinho. Pelo menos era isso que a professora dizia.

Jardim de Mangás


Veja mais no site do dono da idéia

Vi no Pristina.org

1
set
2010

Essa ilustradora canadense, claramente influênciada por mangá, tem um estilo único de pintura. Além disso é muito versátil em seus conceitos e bem alternativa. Camila começou como quadrinista, mas expandiu seus trabalhos e faz quadros, toy art, shapes, capas de revista, etc. Um de seus trabalhos foi pulicado aqui no Brasil: o mangá da Avril Lavigne que saiu pela falecida Pixel Media. Já repararam que sou fã de ilustrações com figuras femininas né? :P

Camila D'Errico

Veja o portfólio dela: http://www.camilladerrico.com/

dica do @Andresama

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