31
out
2010

Apesar de ser uma das minhas personagens favoritas desde criança, eu nunca tinha lido nenhuma HQ da Mulher Gato. Sempre assisti os desenhos do Batman e vi os filmes na Globo quando era uma pirralinha. Eu notei que no segmento editorial ela nunca esteve muito em evidência com qualquer tipo de série própria. Pouco se ouve falar em projetos em que vilões em geral são os protagonistas, e com ela não é um caso diferente. Qualquer hora dessas faço uma lista de HQs de vilões , aproveite e deixe sua sugestão nos comentários.

Achei um pack lá na Fest Comix desse arco completo da Mulher Gato chamado Cidade Eterna. Escrito por Jeph Loeb e ilustrado por Tim Sale, foi publicado pela Panini no ano de 2005 aqui. Trata-se de do desfecho de uma espécie de spin off iniciado na série O Longo Dia das Bruxas, passando pelo arco Vitória Sombria e finalmente terminando neste sobre o qual iremos falar hoje.

Mulher Gato - Cidade Eterna

Selina Kyle, a eterna Mulher Gato, vai a Roma para descobrir detalhes do seu passado famíliar. Ela viaja acompanhada do Charada a capital da Itália, que recebe um descrição interessante de Selina: “Roma tem uma peculiaridade… Ela é tão antiga que quase tudo está coberto de poeira. Não que a cidade seja suja. Essa ‘honra’ continua pertencendo a Gotham.” – lá, entre seus sonhos românticos e surreais com Batman, Selina deseja cavocar a história da família Falcone e achar o elo perdido de seu passado ali. Mas as coisas não começam nada bem: em uma arapuca a gata é acusada de matar o Capo di Capi – o chefão de todos os chefes da máfia italiana. Então Selina divide a sua vida em dois e tem que administrar a vida de socialite em férias com a vida aventureira de sua vilã noturna buscando a verdade sobre si mesma.

Cidade eterna é uma saga delíciosa de ler, não só por ser um bom suspense com pontas bem amarradinhas, mas por ser muito divertido e sensual. O apelo da personagem, extremamente esperta e bonita, é o que inspira toda a atmosfera do roteiro. Muitos vilões de Batman aparecem ali de forma direta e indireta, transformando a saga em uma reunião internacional de mascarados. Além de tudo temos uma catfight poderosa com a Mulher Leopardo. Não deixa de ter romance, principalmente porque a Mulher Gato solta faíscas quando encosta em qualquer homem. E não se trata do Batman, o que é o mais legal.

Mulher Gato - Cidade Eterna #1

É uma narrativa que traz muitos elementos investigativos as avessas: temos aquele suspense polícial nas mãos de uma vilã, o que tem menos ética e mais doença da cabeça. A arte é a cereja do bolo: influências existem em diversos lugares. Nas capas é possível notar influência direta de Sin City. Dentro existem flashbacks pintados em popart, separando exatamente o que deve ser ressaltado nesse aspecto. O estilo do Tim Sale é muito particular e facilmente reconhecível.

A deixa que tive realmente foi que eu preciso comprar o resto de toda série, que foi feita pela mesma a equipe e deve ser muito bacana.

Você pode comprar as três revistas na Comix.

Mulher Gato – Cidade Eterna
Editora: Panini Comics
Autor: JEPH LOEB & TIM SALE
Ano: 2005
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

5
out
2010

Se você gosta de quadrinhos e terror vai gostar dessa notícia. A Panini, responsável pelo selo Marvel aqui no Brasil, decidiu inovar nas publicações e lançar um material diferente da editora, conhecida no mundo todo pelos seus Super Heróis como Homem de Ferro, Homem Aranha, Capitão América, entre outros.

Marvel Terror Panini

Esta arte maravilhosa acima é do artista Rafael Grampá, brasileiro, que colaborou com a capa da 4ª revista do Lobisomem.

Neste mês, Outubro, chegará nas bancas um especial com contos clássicos de terror criados na Casa de Ideias que foi lançado lá fora pelo selo MAX (que pertence a Marvel). O encadernado de 148 páginas contará com os contos dos personagens Lobisomem (Jack Russell), escrita por Duane Swierczynski, de Cable, e desenhada por Mico Suayan (Cavaleiro da Lua). O valor ainda não foi anunciado, e em breve será lançado. Eu vou comprar, com toda a certeza do mundo. Viva as histórias de horror e terror. A surpresa de saber que a Marvel tem um selo dedicado somente a essa fatia saborosa da cultura pop fez meu dia ficar mais legal.

Vi no SOC! TUM! POW!

9
set
2010

*Este texto foi publicado no Ambrosia de 05/09/2010 – veja no link

E chega as bancas mais uma esperada edição da série Y! O Último Homem. Essa incrível série da Vertigo dá o ar da graça pela 3ª vez aqui no Brasil. A primeira foi lançada pela Opera Graphica em 2006, depois ela começou a ser publicada na Pixel Magazine, as duas sem muito sucesso.

Após 8 meses de espera entre o primeiro e o segundo volume, desta vez a Panini acertou mais o timing e lançou o terceiro volume com 3 meses de espera. Algumas pessoas também reclamaram do valor, que sofreu um considerável aumento de 3 reais, mas pelo que pude ver nos comentários lá no site da Panini o staff responsável esclareceu que esse volume vem com mais páginas também. E realmente, o encadernado é mais gordinho e realmente vem com uma parte muito instigante e que despertou em mim uma das maiores expectativas da história até agora, que só será respondida no #4.

Em Y! O Último Homem – Um pequeno passo acompanhamos  nossos personagens em sua jornada difícil para encontrar respostas e fugir de más intenções. O grupo, composto pela Agente 355, integrante do miterioso Círculo Culper e designada a cuidar de Yorick; Dra. Mann, geneticista especializada em clonagem, Yorick, o único homem que sobreviveu a praga que matou todos os homens da Terra; e Ampersand, o último mamifero macho, está numa extensa caminhada do pela América, destruída após a violenta praga ter dizimado todos os homens da Terra. O objetivo é chegar ao laboratório da Dra. Mann na Califórnia e finalmente conseguir realizar os estudos genéticos em ambos sobreviventes. Tudo isso acontece porque uma tropa de soldados israelenses explodiu o laboratório da Dra. Mann em Boston por não encontrar Yorick lá, e eles tem que recorrer aos arquivos da doutora do outro lado do país.

Mas, como sempre, no meio do caminho algumas turbulências acontecem: o grupo encontra uma espiã russa que alega ter um companheiro de equipe no espaço, com mais dois tripulantes, prestes a descer no Kansas. Assim, descobrem que Yorick não é o único homem vivo e que assim há uma esperança de todo o peso do mundo sair das costas dele. Ao mesmo tempo a tropa de mulheres israelenses continua atrás dele para captura-lo com ajuda de uma fonte anônima que está rastreando a posição do grupo.

Este volume em especial fala muito sobre a gentileza entre as pessoas, sobre o instinto maternal e como o bem senso nem sempre está em quem se considera mais sábio e tem mais poder. É incrível ver como as relações entre os personagens, mesmo que superficiais, estão sempre tão a flor da pele nesse contexto apocalípitico e assim a real natureza humana se mostra com facilidade.

Vale ressaltar que Hero reaparece no fim da história e eu realmente tenho medo do que ela pode ser capaz de fazer contra a sua própria família e contra o mundo todo somente por ter raiva e ideas pertubadas demais dentro de si. Com certeza é a personagem mais emblematica da Y! o Último Homem. Já ouvi falar por aí que o fim é muito triste e acho que muito de tudo isso deve ter influência das atitudes da irmã de Yorick. Se você já leu a série deve se divertir com meus chutes nesse texto.

Enfim, o trabalho da Pia Guerra continua com o nível de sempre: simples e objetivo. Talvez a única coisa que me deixa chateada é com a semelhança de alguma coisa entre todos os personagens – reparei que todo mundo tem o mesmo tamanho em pé, por exemplo, e acho que tira um pouco da naturalidade das coisas. Mas a simplicidade é um ponto forte dela, dá valor as expressões e é um ótimo apoio ao roteiro. Mas a delícia mesmo são as artes feitas pras capas: muito realismo e uma coloração marvilhosa. Sou leiga em técnicas, mas acredito que é um trabalho de coloração com lápis aquarelável impecável e realmente faz diferença até na hora de compreender o aspecto físico dos personagens.

Durante minhas pesquisas vi que Y! O Último Homem será lançado em 10 edições aqui no Brasil, já que a Panini optou por seguir o mesmo formato que foi publicado lá fora. Veja uma foto da coleção completa. Ou seja, ainda tem muito chão pela frente.

Formato americano (17 x 26)
172 páginas.
Papel LWC.
R$ 19,50.
Distribuição setorizada.
Capa cartão. (Y: The Last Man 11-17)

Você pode comprar Y! O Último Homem no site da Panini.

1
set
2010

Continuando com os pré acontecimentos da saga A Noite Mais Densa, hoje é dia de conhecer um pouco o que vai acontecer antes do grande momento do Universo DC esse ano aqui no Brasil.

E aqui, oficialmente, nos encontramos no início de toda a saga da Noite mais Densa: vamos conhecer a vida e a motivação de William Hand, o Mão Negra e primeiro Lanterna Negro, a se juntar as forças da escuridão e se tornar a peça chave de uma das sagas mais significativas da DC Comics nos últimos anos.

Lanterna Verde #23

Na edição anterior uma bateria negra foi encontrada no setor espacial 666 por dois Lanternas. Dentro desta bateria contavam os restos do Antimotor, mas antes de conseguir fazer qualquer coisa algo aterrorizante começa a acontecer, espantando os dois. Em Lanterna Verde #23 começamos a ver os primeiros propósitos e os primeiros fragmentos da Profecia de Oa se realizando. Aqui vamos conhecer a história de William Hand, o Mão Negra.

O Mão Negra teve uma história não muito expressiva durante seus anos de existência, e aqui finalmente há uma justificativa e um passado convincente para o rapaz, que será o grande vilão daqui pra frente. Ele, filho do meio de uma família que possui um mortuário para preparação de mortos para o enterro, convive com a morte desde criança e se sente atraído por ela desde que consegue se lembrar. Descobrimos como tudo funciona e quais são suas razões para ter se tornado o Mão Negra – até o símbolo dos Lanternas Negros está intimamente ligado a história de Hand.

Mão NegraSente o perigo

Com um desfecho maravilhoso, frio, impiedoso, temos a chance de entender quem está auxiliando a escuridão a formar a sua tropa de Lanternas Negros e finalmente esperar pelo pior e pelo mais bizarro possível.

O Bravo e o Audaz #29

Na série de contos dos heróis da DC, quem vemos desta vez é o Batman vivendo uma situação bem interessante. Aqui, Batman tem que lidar com um ser estranho chamado de Irmão Poder, que reapareceu na cidade entre escombros de uma velha loja e brinquedos abandonada. Ele, que tem a parencia de ser um boneco com vida própria, acredita viver ainda nos anos 60. mas nem tudo é fácil para o Irmão Poder, que finalmente se dá conta que está em 2009 e relembra de tudo o que aconteceu anteriormente, tanto na sua vida pessoal quanto na sociedade em que vivia. Ele se sente motivado a lutar contra o crime também. É nessa hora que Batman e ele se cruzam, cada um estranhando o terreno desconhecido de suas vidas.

O Bravo e o Audaz #30 – O Verde e o Dourado

Esta história entre o Homem Dourado e o Lanterna Verde é linda. O Homem Dourado vê a execução de um Homem Cinza mal sucedido e se questiona de sua importância no mundo e o que seria de sua vida no final. Ao fim, descobrimos que ele aproveitou uma oportunidade para ajudar Hal Jordan em um planeta deserto e longe da bateria verde para descobrir o que havia lhe acontecido no fim da vida, mas a lição final é muito mais bonita.

Os dois contos de O Bravo e o Audaz tem roteiro do J. Michael Straczynsky e arte de Jesús Saiz.

Você pode comprar a revista no site da Panini

29
ago
2010

Acho que, apesar de ter sido fã de mangás durante boa parte da minha vida, eu falei poucas vezes sobre o assunto aqui. E entre essas poucas vezes está o review do Abara #1.

Eu, que não tinha entendido lhufas da história do mangá, não fui muito atrás pra conhecer detalhes a fundo do autor ou a opinião de outras pessoas. Mas um comentário me fez querer saber mais sobre a o autor, Tsutomu Nihei.

Ele é um escritor e ilustrador japonês que prioriza o conceito cyberpunk nos cenários, nos figurinos e suas histórias em geral não se desenvolvem de forma simples de entender. Talvez nem sejam feitas pra isso. Ele também é autor de outras HQs conhecidas na Europa: Blame!, NOiSE e Biomega. Blame! fez bastante sucesso na Alemanha e chegou a criar um pequeno grupo de fãs.

No caso de Abara #2 é fácil perceber o estilo de Tsutomu. Aqui nós vemos mais elementos cyberpunk: mais fortes do que no primeiro volume: os figurinos dos personagens, uma certa tecnologia primitiva fora de controle e uma cidade vivendo destruição plena.

Abara nº2

Algumas pontas da hisstória são amarradas: entendemos realmente quais são as finalidades dos Gaunas, tanto o branco quanto o negro, e também descobrimos quais são as ligações entre os personagens, que começaram sem explicação. Nada além disso. O que vemos mais é um belíssimo e exótico traço contanto o fim do mundo de um jeito agressivo.

Por fim, acho que Abara é um belo mangá para admirar realmente a arte: os seres estranhos, que lembram robôs, demônios e alienigenas, são cheios de detalhes incríveis. Vale o destaque para o cenário também, que tem vida própria.

Título: Abara
Volume: 2
Valor: R$9,90

Compre Abara #2 no site da Panini

22
ago
2010

Acho que a melhor definição para a Bienal do Livro de 2010 pra mim é: sabe o que é estar no paraíso e ser acometido por uma cegueira bem nessa hora? Foi mais ou menos o que aconteceu comigo.

Neste sábado eu tive uma rara oportunidade de conseguir ir na Bienal. Desde que me lembro, sempre acontecia alguma zica que não me permitia dar o ar da (des)graça por lá. Mas esse ano foi finalmente um breakthrough e lá fui eu, junto com meu paciente namorado. Inicialmente foi tudo bem até chegarmos perto do Anhembi. Optamos pelo estacionamento alternativo logo de cara e nem pensamos muito ou procuramos outras opções. Estacionamentos de locais de convenções como lá são extremamente caros, certa vez pagamos 25 reais em um outro local similar. O único problema é que era LONGE. Muito longe.

Os sapatos assassinos da Bienal do Livro 2010

Os assassinos. Pelo menos sapato de plástico em mim não dá chulé. Era só o que faltava também.

E aí, eu que estou cansada de ser uma menina largada e que anda de tênis o tempo todo, resolvi ir com esse sapatinho lindo que comprei. Sapatinho de plástico. Eu já havia caminhado um pouco com ele antes e não tive nenhum problema sério, mas nós estamos falando da Bienal, quilométrica. E eu andei com esse assassino de pés por muitos e muitos metros. Tive que atravessar até a passarela da avenida que beira ali, e na ida ainda estava tudo bem, na verdade boa parte foi. Apesar da entrada ser caótica e uma desorganização sem fim, o evento era muito mais do que completo. É praticamente impossível conseguir visitar tudo em um dia só. Logo de cara, após um rápida ida ao banheiro e uma rápida refeição, eu e o Gu fomos direito ao estande da Panini, e foi ali que meu pesadelo começou.

A fila quilométrica para a entrada do estande já dava o aviso do que estava acontecendo. Simplesmente um inferno. Estava super cheio em função do sucesso estrondoso da Turma da Mônica, que posso afirmar com mais certeza do que nunca que é o carro chefe da editora. E, passando por álbuns de figurinhas, mangás e tudo mais, lá atrás estava o paraíso de encadernados, a Panini Books. Me detive lá e comprei o Elektra Assassina do Frank Miller, o Guerra Civil com o Mark Millar e o Steve McNiven e alguns dos números que faltavam do meu Crise Final, que me recuso a ler se não tiver todos aqui comigo. Mas acabei de constatar que peguei o nº 2 REPETIDO. Parabéns pra mim, que não percebi que precisava de um checklist decente. Também não tinha o primeiro pra comprar. O único mangá que peguei foi o Abara #2 (fiz um post sobre o #1 aqui) pra matar a curiosidade. Mas o inferno mesmo foi na hora de pagar. Fiquei aproximadamente 1 hora numa fila assustadora e que não andava e nem terminava nunca. Foi aí que meu pé começou a doer, quase desmaiei por causa do calor e fiquei suficientemente irritada pelo resto do dia.

Comprinhas da Bienal :3

Apesar das comprinhas serem deveras satisfatórias, eu acabei nem passando na Comix, o que foi um grave erro e que poderia ser mais proveitoso. Mas na realidade eu entraria em todos os estandes se pudesse. Quem me conhece sabe que sou viciada em livros e revistas, e não poder andar numa Bienal do Livro é um pesadelo. E pensem que eu ainda tive que voltar a pé todo aquele caminho, quase chorando de ódio e de dor.

Agora só em 2012, e de tênis se possível.

Então aprenda com a minha desgraça e veja a lista de lições desse evento:

  1. Avalie todas as opções de estacionamento e condução até lá com antecedência para não sofrer depois com longas caminhadas até o local.
  2. Recarregue a bateria ou pilha da sua camera. (pois é, ainda esqueci esse detalhe)
  3. Coleciona revistas? Leve um checklist de tudo e garimpe em todas as lojas antes de efetuar uma compra final. Vale a pena, principalmente se for em lojas e sebos, não nos estandes das editoras.
  4. VÁ DE TÊNIS. Não preciso nem explicar o porquê né?
  5. Se você tiver a chance, vá durante a semana. A chance de você ter mais paz e menos filas é garantida. 
  6. Levar comida é uma opção inteligente. Se houver locais de alimentação geralmente são caros.
  7. Se você costuma comprar muitas coisas considere levar um carrinho de feira. Sofri vendo algumas pessoas carregando caixas cheias de coisas nos ombros.
  8. Preste atenção em pessoas espertas de olho na sua bolsa. Uma funcionária da limpeza viu que eu dei uma bobeada com a minha e me avisou que tinham duas pessoas roubando bolsas dentro da Bienal.

Se fod@$%!#% e aprendendo né?

16
ago
2010

*Texto publicado no Ambrosia dia 10/08/2010 – veja no link

O mundo parece muito confortável com as coisas do jeito que são hoje. Muito mesmo. Sabe, coisas como o Brasil é o país de terceiro mundo que os gringos acham que só tem florestas? Então. Se não fosse confortável dessa forma pra quem mora nesse país, as coisas seriam bem diferentes, porque nós fariamos com que fosse diferente. Mas não, não é assim.

E é por isso que eu acho muito válido quando uma pessoa que cria histórias distorce tudo aquilo que a gente já conhece e já está acostumado. ZDM é assim, desconstrução de tudo aquilo que você sabe sobre Manhattan, Nova York.

ZDM – Terra de Ninguém foi uma das primeiras publicações da retomada da Vertigo no Brasil pela Panini, mas já estava em publicação na finada Pixel. Mesmo assim, a Panini decidiu republicar as histórias iniciais pela Panini Books, ou seja: encadernado. Apesar de não achar que seja uma estratégia muito inteligente publicar ZDM já com a capa dura e com arcos compilados, principalmente por não ser uma história conhecida do grande publico, o trabalho ficou extremamente bem feito e é muito bonito pra ter na estante.

Escrito e ilustrado por Brian Wood, que já foi indicado ao Eisner Awards por Demo e também por ZDM, ao lado do também ilustrador Riccardo Burchielli (este trabalhando pela primeira vez com comics na América), o universo de de ZDM acontece em meio a uma guerra civil nos Estados Unidos.

Tudo acontece em 2001, quando todos os estados do interior do país a partir de New Jersey se separam do resto dos Estados Unidos da América e passam a se chamar Estados Livres da América. Logo, os EUA se tornam somente o Brooklyn, Queens e Long Island. No meio dessa guerra cívil fica Manhattan, a ilha conhecida como a Zona Desmilitarizada, e daí vem o nome ZDM. Manhattan se torna uma ilha praticamente abandonada e extremamente perigosa, onde todos os conflitos diretos acontecem. É relatado pela imprensa como um lugar totalmente hostil e miserável.

No 4o aniversário do conflito, uma equipe de imprensa decide tentar entrar na ZDM para relatar como é o dia a dia e finalmente mostrar a verdade sobre a cidade. A equpe é liderada por um jornalista e ganhador do prêmio Nobel chamado Viktor Fergusson, e entre eles a pessoa que realmente vai fazer a diferença na história: o estagiário de fotografia Matthew Roth, ou Matty.

Após uma série de equívocos e fatos desastrosos, Matty acaba ficando sozinho na ilha e tem que se virar para sobreviver e fazer as matérias. E é nesse momento que ele descobre que a sociedade ali é muito mais organizada e existem muitas pessoas sobrevivendo e se virando na cidade.

Este encadernado contem 3 arcos diferentes: o arco de introdução, chamado Terra de Ninguém e que conta como Matty foi parar lá. Ele conheceu Zee, paramédica voluntária que cuida dos doentes e feridos. Ela se torna sua guia na Big Apple em frangalhos, mostrando outro ponto de vista sobre a situação da ilha. Além disso Matty é obrigado a lidar com a morte de pessoas inocentes e com o fato de ser privilegiado e conquistar o respeito por ser o único jornalista vivo na área.

ZDM - Terra de Ninguém

O segundo arco se chama Fantasmas, e nos apresenta um grupo de homens que mantém um zoológico da região intacto e criam um complexo sistema de sobrevivência dentro da ZDM, inimaginável para quem está do lado de fora da ilha. Aqui Matty já é um jornalista respeitado e tem passe livre para fazer suas matérias.

No último arco do encadernado, Cruzando a Cidade, Matthew tem seu uniforme e crachá roubados e tem que perseguir o ladrão para recuperar a sua identidade na cidade e o aval para não ser assassinado. Na perseguição contra seu inimigo, ele chega a uma das áreas de acesso aos Estados Livres da América.

ZDM é genial por relatar em quadrinhos o difícil mundo do jornalismo de guerra. As atribulações de quem trabalha nesta área são mostradas de forma bem aventureira e sem censura, com a realidade que é obrigatória nesse tipo de história. Além disso, é uma crítica às já existente zonas de guerra fora daqui e como é possível termos uma visão pobre do que é a realidade nesses locais.

Os traços tanto de Wood quanto de Burchielli são bem diferentes do habitual: são mais sujos que o normal, dando esse aspecto grunge que a história pede. Há também algumas artes de capa feitas com fotografias tiradas pelo próprio Brian Wood. Tudo muito urbano, com grafittis, etc.

Apesar do preço salgado, vale a pena ler. É um quadrinho de ação e guerra muito bom e mantém a tradição da Vertigo de ser uma das melhores editoras de quadrinhos alternativos do mundo.

Título: ZDM – Terra de Ninguém
Autores: Brian Wood e Riccardo Burchielli
Formato: Americano, capa dura, 132 páginas, papel LWC
Preço: R$ 36,90
ISBN: 978857351604-3

Saiba mais no site da Panini/Vertigo

24
jul
2010

*Este artigo foi escrito para o site Ambrosia no dia 18/07/2010 – veja no link

Está cansado de histórias de heroísmo épico?  Não aguenta mais a ficção do jeito certinho que a Disney gosta de  mostrar? Então eu peço que você se atente bastante ao que temos no post  de hoje. Vamos conhecer a primeira manifestação livre de super heróis de cuecas sobre as calças de Warren Ellis. Prepare-se para Transmetropolitan.

Larissa Palmieri e Spider Jerusalem

Transmetropolitan é uma graphic  novel com roteiro de Warren Ellis e arte de Darick Robertson. A primeira  vez que a revista foi as bancas foi em 1997 pela editora Helix, mas  após um ano mudou de editora e foi publicada pela Vertigo até o ano de  2002. Agora, em 2010, a Panini/Vertigo está republicando a série em  encadernados, já que a editora Brainstorm parou de publica-la em 2002.

Convenientemente a Panini fez o favor de ouvir as preces de seus leitores e publicar a  série. Não acho que seja por causa da campanha #PublicaTransmet no Twitter, mas acredito que os pedidos aceleraram o processo. E hoje tenho orgulho de ter um encadernado lindo com o Spider Jerusalem na capa em  casa.

Aqui estamos falando de um universo totalmente  inusitado: Ellis nos joga no século 23, completamente caótico e  totalmente cyberpunk, sob o ponto de vista de Spider Jerusalem – um  jornalista excêntrico, sem medo de denunciar e apontar o dedo do meio na  cara de quem ele acha que está errado. Seu visual e seu estilo  jornalístico são uma homenagem ao repórter Hunther Thompson, pioneiro do estilo Gonzo (aquele em que o reporter fala em primeira pessoa, como se  fosse parte dos fatos, bem por cima).

Este  encadernado, pelo o que consta nas páginas iniciais dele, foi publicado  da mesma forma lá fora em 2008. É por isso que a introdução fica com o  igualmente doido Garth Ennis (Preacher, The Boys). Ele fala da sua  admiração por Ellis, tanto como amigo quanto como autor, e como Warren  era pessimista com o sucesso de seu debut fora do mundo dos super  heróis. Definitivamente é divertido e já te deixa mais ou menos no clima  do que vem por aí.

Spider Jerusalem

De volta às ruas -  O primeiro arco nos apresenta a vida de Spider retornando a cidade após  passar alguns anos morando isolado numa montanha. Ele, que fugiu do  mundo inteiro por atingir o ápice da fama, finalmente tem que retornar a  cidade para cumprir um contrato pendente, além de encarar o caos urbano e  o tsunami de informações de seus feeds. Uma coletânea de frases  históricas, xingamentos inimagináveis e uma beleza poética jamais  imaginada no meio de um mundo bizarro.

Em campanha – está é uma das histórias mais conhecidas de Transmetropolitan. Spider  ganha uma nova assistente e ambos vão atrás do presidente do país para  falar algumas verdades. O diálogo entre Spider e o presidente é tão  sensacional que fizeram até um  live action (que não é muito bom, mas dá pra entender o contexto).

O  que Spider assiste na TV – Depois de tanto tempo fora, Spider  precisa se atualizar e fazer uma imersão no mundo da televisão e resolve  tirar um dia só pra entender como tudo funciona, até o tédio começar a  agir e ele resolve interagir com a mídia fazendo compras e ligando para  programas ao vivo. Uma perfeita crítica ao que é certo e errado na TV,  além de mostrar que a lavagem cerebral pode atingir até os mais cultos,  se estiverem vulneráveis.

Deus vai de carona -  Spider, vestido de Jesus Cristo e sem dormir a três dias, acorda sua  assistente as 5 da manhã e começa a pesquisar sobre as novas religiões  que surgem na cidade. Ambos descobrem uma feira só sobre o assunto e vão até lá. A cena lembra aquela famosa passagem bíblica em que Jesus se  revolta e quebra tudo ao ver pessoas usando templo sagrado (ou igreja se você preferir) como mercado. É sério, pesquise no novo testamento que você vai achar.

Spider Jerusalem Jesus

Transmetropolitan trata de forma agressiva  e com palavras chulas a sociedade atual. O ponto de vista é sob os  olhos mais críticos e sinceros que já existiram no mundo dos quadrinhos,  e é impossível não gostar de Jerusalem. Warren Ellis estava inspirado  ao criar alguém tão excêntrico e com tantas coisas a dizer de forma tão  direta, chego a lembrar do Alan Moore algumas vezes de tão rabugento e doido que ele consegue ser. Mas claro que Spider só brilha por estar em um  ambiente tão caótico. Darick Robertson consegue ilustraras pessoas, a gatinha de duas cabeças e a cidade suja e totalmente errada com primor. Os detalhes fazem toda a diferença. Definitivamente idéias e arte se  misturam aqui de forma sincronizada e totalmente dentro do contexto: sujo, crítico, colorido, expressivo e sem limites. O melhor de tudo é perceber que o futuro criado por Ellis quase chegou: os feeds no notebook e em aparelhos portáteis já existem.

Não duvido nada que nós viveremos assim em 2050, desse jeito totalmente Transmetropolitan.

6
set
2010

E na sequência de Y! O Último Homem – Extinção demorou quase seis meses pra sair. Quer dizer, nas minhas contas mal feitas foi mais ou menos isso. Dói na alma ter que esperar pela continuação dessa HQ que já no primeiro número se mostrou tão instigante, e você pode ler tudo o que eu achei sobre o primeiro número nesse post pré histórico do blog.

Y! O Último Homem - Ciclos

Nesse segundo volume é que a trama toda em volta de Yourick, nosso último homem da face do planeta, começa a ser explicada e começa a acontecer. Ele, seu macaquinho Ampersand (o último mamífero não humano do sexo masculino) a agente 355 (escalada para vigia-lo) e a Dra. Mann (especialista em genética humana) correm contra o tempo para sair do Washington para chegar a Califórnia, no laboratório onde todos os arquivos de suas pesquisas estão guardados. Mas, imagine você, amigo leitor deste blog, o mundo continua um completo caos já que as estradas estão lotadas de cadáveres e todos os pilotos de avião morreram. Então o que os aguarda não é nada fácil.

A beleza da história de Y! não se deve somente por mostrar o lado não frágil das mulheres, que agora se vêem sem desculpas e não podem mas se dar ao luxo de fazer manha num mundo sem homens, mas sim ao comportamento esperado com ou sem homens que todas elas tem, juntas, ao ver um homem num mundo que teoricamente não tem mais homens. Todas fofocam, algumas se apaixonam, e outras são tomadas por uma fúria sem precedentes. Num modo geral, claro. A vida em torno de Yourick, que tem uma namorada que mora na Austrália, é muito complexa pra administrar sozinho. Além disso os olhares de todos estão em volta dele, pro bem e pro mal. Além disso, nesse volume é a primeira vez que vemos um relacionamento afetivo começar a se desenvolver de perto, e veja bem, isso pode ser muito estranho nesse mundo.

Os acontecimentos são rápidos, e tudo é muito difícil de engolir, principalmente a irmã de Yourick, Hero. Ela nos mostra como uma catástrofe pode ser uma oportunidade de fazer lavagem cerebral. Fica a dica né? Além disso o exército israelense está atrás do Último Homem, e aí eu acho que a coisa vai pegar no próximo volume. O final, então, é a coisa mais explode cabeças.

O Trabalho de Brian K. Vaughan, Pia Guerra e José Marzan Jr. continua no mesmo nível da edição passada, até melhor.

Agora vou ficar ansiosa pra ler o resto :( Lancem logo o 3º volume Panini! Não quero ser obrigada a ler scans pra matar a lombriga da curiosidade.

Veja mais sobre a série no site da Panini / Vertigo e compre na Comix ou na LigaHQ

6
set
2010

Eu costumo dizer que as melhores histórias em quadrinhos partem de uma premissa extremamente simples e acredito que vocês devem concordar comigo (pelo menos na maioria dos casos).

Estava lendo meu GReader algum dia de madrugada quando me deparei em algum post um poster de uma menina vestida em trajes de super herói. E nele estava escrito: “I can’t see through walls, but I can kick your ass”. Me chamou a atenção por ser inusitado, principalmente aquela hora da vida (acho que era meio de madrugda já).

Foi quando descobri Kick Ass.

Kick Ass

Pode parecer extremamente bobo pra quem olhar de relance o Nicholas Cage vestido de genérico do Batman nos posters, mas basta ver um trailer pra você entender que estava enganado.

Kick Ass é uma história aparentemente simples e que talvez você tenha notado que acontece frequentemente em eventos de quadrinhos e em concursos de cosplay, mas com um toque a mais de realidade. Dave Lizewskié um garoto normal e sem graça que gosta de quadrinhos e sente que sua vida precisa de um toque de foda-se pra ficar mais legal. Mas o que ele não imaginava é que a coisa ficaria realmente séria ao encontrar outras pessoas que se inspirariam em seu próprio tédio. Aliás, o tédio desencadeia as maiores loucuras do mundo, Death Note está aí pra provar isso também.

Mesmo parecendo um simples argumento, Kick Ass é uma história incrível e que se desenvolve em cima de grandes problemas psicológicos e suas consequências, além de mostrar que a gente não sabe nada mesmo sobre o que existe na realidade de cada um de nós. Chega a chocar saber a história real das personagens perto do que a gente acreditava que fosse verdade desde o início.

Claro que eu ainda não vi o filme, mas assim que estiver nos cinemas eu verei na estréia se possível, pois sou fã pra caramba deste trabalho em quadrinhos de Mike Millar (se vocês quiserem ver um pouco do trabalho mais recente dele, o Nemesis, eu já fiz uma resenha sobre ele no blog um tempo atrás). Eu li foram os scans dos quadrinhos no incío desse ano, já que a publicação nacional só vai sair aqui esse mês ou no mês que vem pela Panini, e farei questão de comprar (mesmo sendo uma paulada de caro, assim como as ed. definitivas de Sandman). Assim farei a devida resenha dos quadrinhos, comentando também a qualidade da tradução e do encadernado.

Para seguirmos para a próxima parte do post, veja o trailer, antes de tudo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Qe-iGFgMTYg]

Esse post é principalmente pra alertar você, leitor e principalmente leitora do blog, a quebrar os seus conceitos pré formados. Então uma lista de motivos para você assistir o filme que estréia sexta feira dessa semana:

- Kick Ass é uma história engraçada, violenta e profunda ao mesmo tempo. Tire férias desses filmes manjados de romance e de heroísmo perfeito e abra a sua cabeça pra algo diferente.

- A personagem da história é uma menina violenta de aproximadamente 10 anos e no filme ela é interpretada com excelência. GIRL POWER FTW. Ela é mais corajosa que o seu pai.

- O visual do filme é muito interessante também, vale a pena ver Kick Ass e depois aguardar por Scott Pilgrim. Esses filmes vem da mesma safra de entretenimento doido e que, apesar do segundo ser bem mais dorgas manolo, ambos de alguma se parecem visualmente, pelo menos pra mim.

- Sex & The City é um pires raso e vazio em termos de relacionamento perto de Kick Ass. Mais divertido, mais doente e muito mais sério e preocupante. Relações entre pais e filhos principalmente, estas vão ao extremo no que concerne a relacionamento saudável.

- Deixa de ser menina mimimimimimi e abra seu coração pro humor negro sem culpa, Kick Ass foi feito pra isso. Seu namorado e o carinha que você quer pegar vão gostar muito mais de você, belive me. Mas é pra gostar de coração, se não você não merece falar nem comigo nem com meu anjo.

Kick Ass

Enfim, é isso :) O filme começa a ser exibido nas salas brasileiras esta sexta feira, dia 18/06, quase 3 meses depois da estréia internacional. UM ABSURDO, mas esperei porque gosto de dar meu dinheiro pro cinema americano. Em breve resenha do filme e da graphic novel.

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