9
set
2010

*Este texto foi publicado no Ambrosia de 05/09/2010 – veja no link

E chega as bancas mais uma esperada edição da série Y! O Último Homem. Essa incrível série da Vertigo dá o ar da graça pela 3ª vez aqui no Brasil. A primeira foi lançada pela Opera Graphica em 2006, depois ela começou a ser publicada na Pixel Magazine, as duas sem muito sucesso.

Após 8 meses de espera entre o primeiro e o segundo volume, desta vez a Panini acertou mais o timing e lançou o terceiro volume com 3 meses de espera. Algumas pessoas também reclamaram do valor, que sofreu um considerável aumento de 3 reais, mas pelo que pude ver nos comentários lá no site da Panini o staff responsável esclareceu que esse volume vem com mais páginas também. E realmente, o encadernado é mais gordinho e realmente vem com uma parte muito instigante e que despertou em mim uma das maiores expectativas da história até agora, que só será respondida no #4.

Em Y! O Último Homem – Um pequeno passo acompanhamos  nossos personagens em sua jornada difícil para encontrar respostas e fugir de más intenções. O grupo, composto pela Agente 355, integrante do miterioso Círculo Culper e designada a cuidar de Yorick; Dra. Mann, geneticista especializada em clonagem, Yorick, o único homem que sobreviveu a praga que matou todos os homens da Terra; e Ampersand, o último mamifero macho, está numa extensa caminhada do pela América, destruída após a violenta praga ter dizimado todos os homens da Terra. O objetivo é chegar ao laboratório da Dra. Mann na Califórnia e finalmente conseguir realizar os estudos genéticos em ambos sobreviventes. Tudo isso acontece porque uma tropa de soldados israelenses explodiu o laboratório da Dra. Mann em Boston por não encontrar Yorick lá, e eles tem que recorrer aos arquivos da doutora do outro lado do país.

Mas, como sempre, no meio do caminho algumas turbulências acontecem: o grupo encontra uma espiã russa que alega ter um companheiro de equipe no espaço, com mais dois tripulantes, prestes a descer no Kansas. Assim, descobrem que Yorick não é o único homem vivo e que assim há uma esperança de todo o peso do mundo sair das costas dele. Ao mesmo tempo a tropa de mulheres israelenses continua atrás dele para captura-lo com ajuda de uma fonte anônima que está rastreando a posição do grupo.

Este volume em especial fala muito sobre a gentileza entre as pessoas, sobre o instinto maternal e como o bem senso nem sempre está em quem se considera mais sábio e tem mais poder. É incrível ver como as relações entre os personagens, mesmo que superficiais, estão sempre tão a flor da pele nesse contexto apocalípitico e assim a real natureza humana se mostra com facilidade.

Vale ressaltar que Hero reaparece no fim da história e eu realmente tenho medo do que ela pode ser capaz de fazer contra a sua própria família e contra o mundo todo somente por ter raiva e ideas pertubadas demais dentro de si. Com certeza é a personagem mais emblematica da Y! o Último Homem. Já ouvi falar por aí que o fim é muito triste e acho que muito de tudo isso deve ter influência das atitudes da irmã de Yorick. Se você já leu a série deve se divertir com meus chutes nesse texto.

Enfim, o trabalho da Pia Guerra continua com o nível de sempre: simples e objetivo. Talvez a única coisa que me deixa chateada é com a semelhança de alguma coisa entre todos os personagens – reparei que todo mundo tem o mesmo tamanho em pé, por exemplo, e acho que tira um pouco da naturalidade das coisas. Mas a simplicidade é um ponto forte dela, dá valor as expressões e é um ótimo apoio ao roteiro. Mas a delícia mesmo são as artes feitas pras capas: muito realismo e uma coloração marvilhosa. Sou leiga em técnicas, mas acredito que é um trabalho de coloração com lápis aquarelável impecável e realmente faz diferença até na hora de compreender o aspecto físico dos personagens.

Durante minhas pesquisas vi que Y! O Último Homem será lançado em 10 edições aqui no Brasil, já que a Panini optou por seguir o mesmo formato que foi publicado lá fora. Veja uma foto da coleção completa. Ou seja, ainda tem muito chão pela frente.

Formato americano (17 x 26)
172 páginas.
Papel LWC.
R$ 19,50.
Distribuição setorizada.
Capa cartão. (Y: The Last Man 11-17)

Você pode comprar Y! O Último Homem no site da Panini.

2
set
2010

Sempre soube que Neil Gaiman é meio resistente pra ideia de adaptar Sandman pra cinema. Empresários não conseguem acreditar no sucesso de uma história que não tem vilões escancarados. O universo Sandman é rico e perfeito por causa da livre interpretação que você pode ter de tudo. Não há culpados e heróis. Existem somente fatos. O que consegui constatar em Watchmen foi a mesma coisa: se o desfecho fosse igual ao original talvez ficasse ridículo no cinema. Não porque ficaria ruim, mas as grandes massas não gostam de pensar, e quem manda nisso tudo é o retorno que o filme vai dar nas bilheterias. Temos um ponto complicado aqui.

Agora que as séries estão em alta mais do que nunca, e os quadrinhos nas séries servem de inspiração tanto no sentido série – quadrinhos (Supernatural virou mangá) quanto no sentido quadrinhos – série (The Walking Dead vai ser uma adaptação de quadrinhos pra TV), sempre lemos rumores surreais de adaptações pra TV de ótimas HQs, e é o caso de Sandman.

Ai fica o ponto de interrogação: será que vai dar merda?

O criador de Supernatural, Eric Kripke, está chamando a responsabilidade pra si. É um cara muito corajoso, já que milhares de tentativas de adaptação pra cinema não deram certo e sequer tiveram sinal verde para acontecer. Não assisti Supernatural, assim como não sou ligada a videogame eu não sou ligada a séries, então não conheço o trabalho do cara. Mas algumas coisas óbvias a gente pode deduzir.

Dificilmente uma adaptação pra TV terá um orçamento que honre toda a loucura visual e conceitual da consagrada história criada por Gaiman. Apesar disso, uma série de TV faria as honras de detalhar um pouco mais a trama do que o cinema enlatado poderia fazer. Mas acho que o maior problema realmente é a aceitação do público familiar americano a uma história tão alternativa. TV é outro papo, né? Enfim.

São esses detalhes que me deixam preocupada. Ver uma obra genial como Sandman maculada por um baixo orçamento ou por uma possível rejeição do grande publico é complicado. Agora é só esperar pra ver se vai dar certo.

Vi a notícia no Omelete

1
set
2010

Este incrível ilustrador de quadrinhos, com trabalhos feitos para a DC e Vertigo, é uuma mente inquieta. Além do trabalho bem cartunesco, que não se aproxima tanto do realismo e nem por isso deixa de ser serious business, ele também se diverte bas horas vagas desenhando pinups com suas heroínas preferidas e adaptando posters antigos as suas idéias simples e geniais. Já desenhou o Arqueiro Verde, a Canário Negro, o Batman, Red Sonja, entre outros.

Cliff Chiang

Veja o site oficial do desenhista e delicie-se ;)

A dica é do Ambrosia

16
ago
2010

*Texto publicado no Ambrosia dia 10/08/2010 – veja no link

O mundo parece muito confortável com as coisas do jeito que são hoje. Muito mesmo. Sabe, coisas como o Brasil é o país de terceiro mundo que os gringos acham que só tem florestas? Então. Se não fosse confortável dessa forma pra quem mora nesse país, as coisas seriam bem diferentes, porque nós fariamos com que fosse diferente. Mas não, não é assim.

E é por isso que eu acho muito válido quando uma pessoa que cria histórias distorce tudo aquilo que a gente já conhece e já está acostumado. ZDM é assim, desconstrução de tudo aquilo que você sabe sobre Manhattan, Nova York.

ZDM – Terra de Ninguém foi uma das primeiras publicações da retomada da Vertigo no Brasil pela Panini, mas já estava em publicação na finada Pixel. Mesmo assim, a Panini decidiu republicar as histórias iniciais pela Panini Books, ou seja: encadernado. Apesar de não achar que seja uma estratégia muito inteligente publicar ZDM já com a capa dura e com arcos compilados, principalmente por não ser uma história conhecida do grande publico, o trabalho ficou extremamente bem feito e é muito bonito pra ter na estante.

Escrito e ilustrado por Brian Wood, que já foi indicado ao Eisner Awards por Demo e também por ZDM, ao lado do também ilustrador Riccardo Burchielli (este trabalhando pela primeira vez com comics na América), o universo de de ZDM acontece em meio a uma guerra civil nos Estados Unidos.

Tudo acontece em 2001, quando todos os estados do interior do país a partir de New Jersey se separam do resto dos Estados Unidos da América e passam a se chamar Estados Livres da América. Logo, os EUA se tornam somente o Brooklyn, Queens e Long Island. No meio dessa guerra cívil fica Manhattan, a ilha conhecida como a Zona Desmilitarizada, e daí vem o nome ZDM. Manhattan se torna uma ilha praticamente abandonada e extremamente perigosa, onde todos os conflitos diretos acontecem. É relatado pela imprensa como um lugar totalmente hostil e miserável.

No 4o aniversário do conflito, uma equipe de imprensa decide tentar entrar na ZDM para relatar como é o dia a dia e finalmente mostrar a verdade sobre a cidade. A equpe é liderada por um jornalista e ganhador do prêmio Nobel chamado Viktor Fergusson, e entre eles a pessoa que realmente vai fazer a diferença na história: o estagiário de fotografia Matthew Roth, ou Matty.

Após uma série de equívocos e fatos desastrosos, Matty acaba ficando sozinho na ilha e tem que se virar para sobreviver e fazer as matérias. E é nesse momento que ele descobre que a sociedade ali é muito mais organizada e existem muitas pessoas sobrevivendo e se virando na cidade.

Este encadernado contem 3 arcos diferentes: o arco de introdução, chamado Terra de Ninguém e que conta como Matty foi parar lá. Ele conheceu Zee, paramédica voluntária que cuida dos doentes e feridos. Ela se torna sua guia na Big Apple em frangalhos, mostrando outro ponto de vista sobre a situação da ilha. Além disso Matty é obrigado a lidar com a morte de pessoas inocentes e com o fato de ser privilegiado e conquistar o respeito por ser o único jornalista vivo na área.

ZDM - Terra de Ninguém

O segundo arco se chama Fantasmas, e nos apresenta um grupo de homens que mantém um zoológico da região intacto e criam um complexo sistema de sobrevivência dentro da ZDM, inimaginável para quem está do lado de fora da ilha. Aqui Matty já é um jornalista respeitado e tem passe livre para fazer suas matérias.

No último arco do encadernado, Cruzando a Cidade, Matthew tem seu uniforme e crachá roubados e tem que perseguir o ladrão para recuperar a sua identidade na cidade e o aval para não ser assassinado. Na perseguição contra seu inimigo, ele chega a uma das áreas de acesso aos Estados Livres da América.

ZDM é genial por relatar em quadrinhos o difícil mundo do jornalismo de guerra. As atribulações de quem trabalha nesta área são mostradas de forma bem aventureira e sem censura, com a realidade que é obrigatória nesse tipo de história. Além disso, é uma crítica às já existente zonas de guerra fora daqui e como é possível termos uma visão pobre do que é a realidade nesses locais.

Os traços tanto de Wood quanto de Burchielli são bem diferentes do habitual: são mais sujos que o normal, dando esse aspecto grunge que a história pede. Há também algumas artes de capa feitas com fotografias tiradas pelo próprio Brian Wood. Tudo muito urbano, com grafittis, etc.

Apesar do preço salgado, vale a pena ler. É um quadrinho de ação e guerra muito bom e mantém a tradição da Vertigo de ser uma das melhores editoras de quadrinhos alternativos do mundo.

Título: ZDM – Terra de Ninguém
Autores: Brian Wood e Riccardo Burchielli
Formato: Americano, capa dura, 132 páginas, papel LWC
Preço: R$ 36,90
ISBN: 978857351604-3

Saiba mais no site da Panini/Vertigo

24
jul
2010

*Este artigo foi escrito para o site Ambrosia no dia 18/07/2010 – veja no link

Está cansado de histórias de heroísmo épico?  Não aguenta mais a ficção do jeito certinho que a Disney gosta de  mostrar? Então eu peço que você se atente bastante ao que temos no post  de hoje. Vamos conhecer a primeira manifestação livre de super heróis de cuecas sobre as calças de Warren Ellis. Prepare-se para Transmetropolitan.

Larissa Palmieri e Spider Jerusalem

Transmetropolitan é uma graphic  novel com roteiro de Warren Ellis e arte de Darick Robertson. A primeira  vez que a revista foi as bancas foi em 1997 pela editora Helix, mas  após um ano mudou de editora e foi publicada pela Vertigo até o ano de  2002. Agora, em 2010, a Panini/Vertigo está republicando a série em  encadernados, já que a editora Brainstorm parou de publica-la em 2002.

Convenientemente a Panini fez o favor de ouvir as preces de seus leitores e publicar a  série. Não acho que seja por causa da campanha #PublicaTransmet no Twitter, mas acredito que os pedidos aceleraram o processo. E hoje tenho orgulho de ter um encadernado lindo com o Spider Jerusalem na capa em  casa.

Aqui estamos falando de um universo totalmente  inusitado: Ellis nos joga no século 23, completamente caótico e  totalmente cyberpunk, sob o ponto de vista de Spider Jerusalem – um  jornalista excêntrico, sem medo de denunciar e apontar o dedo do meio na  cara de quem ele acha que está errado. Seu visual e seu estilo  jornalístico são uma homenagem ao repórter Hunther Thompson, pioneiro do estilo Gonzo (aquele em que o reporter fala em primeira pessoa, como se  fosse parte dos fatos, bem por cima).

Este  encadernado, pelo o que consta nas páginas iniciais dele, foi publicado  da mesma forma lá fora em 2008. É por isso que a introdução fica com o  igualmente doido Garth Ennis (Preacher, The Boys). Ele fala da sua  admiração por Ellis, tanto como amigo quanto como autor, e como Warren  era pessimista com o sucesso de seu debut fora do mundo dos super  heróis. Definitivamente é divertido e já te deixa mais ou menos no clima  do que vem por aí.

Spider Jerusalem

De volta às ruas -  O primeiro arco nos apresenta a vida de Spider retornando a cidade após  passar alguns anos morando isolado numa montanha. Ele, que fugiu do  mundo inteiro por atingir o ápice da fama, finalmente tem que retornar a  cidade para cumprir um contrato pendente, além de encarar o caos urbano e  o tsunami de informações de seus feeds. Uma coletânea de frases  históricas, xingamentos inimagináveis e uma beleza poética jamais  imaginada no meio de um mundo bizarro.

Em campanha – está é uma das histórias mais conhecidas de Transmetropolitan. Spider  ganha uma nova assistente e ambos vão atrás do presidente do país para  falar algumas verdades. O diálogo entre Spider e o presidente é tão  sensacional que fizeram até um  live action (que não é muito bom, mas dá pra entender o contexto).

O  que Spider assiste na TV – Depois de tanto tempo fora, Spider  precisa se atualizar e fazer uma imersão no mundo da televisão e resolve  tirar um dia só pra entender como tudo funciona, até o tédio começar a  agir e ele resolve interagir com a mídia fazendo compras e ligando para  programas ao vivo. Uma perfeita crítica ao que é certo e errado na TV,  além de mostrar que a lavagem cerebral pode atingir até os mais cultos,  se estiverem vulneráveis.

Deus vai de carona -  Spider, vestido de Jesus Cristo e sem dormir a três dias, acorda sua  assistente as 5 da manhã e começa a pesquisar sobre as novas religiões  que surgem na cidade. Ambos descobrem uma feira só sobre o assunto e vão até lá. A cena lembra aquela famosa passagem bíblica em que Jesus se  revolta e quebra tudo ao ver pessoas usando templo sagrado (ou igreja se você preferir) como mercado. É sério, pesquise no novo testamento que você vai achar.

Spider Jerusalem Jesus

Transmetropolitan trata de forma agressiva  e com palavras chulas a sociedade atual. O ponto de vista é sob os  olhos mais críticos e sinceros que já existiram no mundo dos quadrinhos,  e é impossível não gostar de Jerusalem. Warren Ellis estava inspirado  ao criar alguém tão excêntrico e com tantas coisas a dizer de forma tão  direta, chego a lembrar do Alan Moore algumas vezes de tão rabugento e doido que ele consegue ser. Mas claro que Spider só brilha por estar em um  ambiente tão caótico. Darick Robertson consegue ilustraras pessoas, a gatinha de duas cabeças e a cidade suja e totalmente errada com primor. Os detalhes fazem toda a diferença. Definitivamente idéias e arte se  misturam aqui de forma sincronizada e totalmente dentro do contexto: sujo, crítico, colorido, expressivo e sem limites. O melhor de tudo é perceber que o futuro criado por Ellis quase chegou: os feeds no notebook e em aparelhos portáteis já existem.

Não duvido nada que nós viveremos assim em 2050, desse jeito totalmente Transmetropolitan.

10
jul
2010

Crossovers desses universos são sempre surpresas, sejam boas ou ruins. Mas juro que nunca imaginei uma conversa entre esse dois: Lex Luthor e a Morte.

Lex Luthor e Morte

O grande inimigo do Superman vai trocar uma idéia com a Morte, perpetuo de Sandman e irmã mais velha do Sonho. Me parece bem divertido isso, pois a chance de dar errado é muito grande. Se der certo ainda assim acho que não vai ser nada demais, mas como provavelmente isso não vai acontecer pelo menos a gente vê a Morte nos traços do David Finch. A edição está em desenvolvimento pelo escritor Paul Cornell.

Essa edição só sai em Outubro lá nos EUA na Action Comics e tudo isso tem a aprovação do Neil Gaiman. Mas não é a primeira vez que o universo Vertigo se encontra com o Universo DC. O Sonho já apareceu em Os Melhores do Mundo nº 26, lançado em 99 aqui no Brasil pela editora Abril.

Vi a notícia no SOC! TUM! POW!

4
jul
2010

Estamos de volta com a melhor história de vampiros de verdade dos últimos tempos! Afinal, em final de semana de estréia de Eclipse eu preciso salvar vocês com um pouco de sangue de verdade e de maldade vampírica no coração, certo?

A segunda edição de American Vampire traz algumas explicações de tudo aqui que nós vimos na primeira, então vamos por partes, já que é assim que a HQ se divide.

Estrela da Manhã

American Vampire #2 - Pearl

No início temos temos nossa heroína Pearl finalmente encontrada após ser devorada por um bando de vampiros famintos, mas que a jogaram viva em uma vala. Logo ela é encontrada, em frangalhos por seus amigos e é levada ao hospital, onde é dada como morta. Mas claro que nosso estimado vampiro canalha Skinner Sweet vem ao seu auxílio para que sua morte não seja assim tão em vão. É a partir daí que temos uma nova faceta da moça, interessantíssima diga-se de passagem. Gosto de ver esse tipo de transformação, que por mais que seja previsível não deixa de ser uma delícia de assistir. Sabe Bela, a Feia ficando bonita? A mesma coisa só que de forma muito mais construtiva e educativa. Ao final, Skinner deixa para ela um prato cheio de enigmas para serem respondidos e um presente inesquecível.

Água Profundas

American Vampire #2 - Skinner Sweet

Já na trajetória de Skinner Sweet, contada por quem viu a hitória dele de perto, descobrimos como ele se safou da própria morte após anos adormecido e afogado em seu caixão e como a vida do homem que o prendeu, James Book e como todo o ocorrido da história afetou a sua vida e o tornou um homem mais frio. Vejo uma bela briga vindo por aí :D Uma outra coisa que me empolga é entender o porque Skinner é do jeito que é e quais são as suas intenções para finalmente entendermos todo o universo de American Vampire. Mas são paralelos bem interessantes que com certeza vão se ligar no final.

Ok, devo confessar que a parte da Pearl é a que gosto mais. Talvez a narração do velhinho, contando a história de Skinner me deixe um pouco entediada, mas a essência em si é cruel e deve ser devidamente apreciada, cada gotinha de sangue perdida :) QUERO MAIS DOCE, cadê a próxima revista?

6
set
2010

E na sequência de Y! O Último Homem – Extinção demorou quase seis meses pra sair. Quer dizer, nas minhas contas mal feitas foi mais ou menos isso. Dói na alma ter que esperar pela continuação dessa HQ que já no primeiro número se mostrou tão instigante, e você pode ler tudo o que eu achei sobre o primeiro número nesse post pré histórico do blog.

Y! O Último Homem - Ciclos

Nesse segundo volume é que a trama toda em volta de Yourick, nosso último homem da face do planeta, começa a ser explicada e começa a acontecer. Ele, seu macaquinho Ampersand (o último mamífero não humano do sexo masculino) a agente 355 (escalada para vigia-lo) e a Dra. Mann (especialista em genética humana) correm contra o tempo para sair do Washington para chegar a Califórnia, no laboratório onde todos os arquivos de suas pesquisas estão guardados. Mas, imagine você, amigo leitor deste blog, o mundo continua um completo caos já que as estradas estão lotadas de cadáveres e todos os pilotos de avião morreram. Então o que os aguarda não é nada fácil.

A beleza da história de Y! não se deve somente por mostrar o lado não frágil das mulheres, que agora se vêem sem desculpas e não podem mas se dar ao luxo de fazer manha num mundo sem homens, mas sim ao comportamento esperado com ou sem homens que todas elas tem, juntas, ao ver um homem num mundo que teoricamente não tem mais homens. Todas fofocam, algumas se apaixonam, e outras são tomadas por uma fúria sem precedentes. Num modo geral, claro. A vida em torno de Yourick, que tem uma namorada que mora na Austrália, é muito complexa pra administrar sozinho. Além disso os olhares de todos estão em volta dele, pro bem e pro mal. Além disso, nesse volume é a primeira vez que vemos um relacionamento afetivo começar a se desenvolver de perto, e veja bem, isso pode ser muito estranho nesse mundo.

Os acontecimentos são rápidos, e tudo é muito difícil de engolir, principalmente a irmã de Yourick, Hero. Ela nos mostra como uma catástrofe pode ser uma oportunidade de fazer lavagem cerebral. Fica a dica né? Além disso o exército israelense está atrás do Último Homem, e aí eu acho que a coisa vai pegar no próximo volume. O final, então, é a coisa mais explode cabeças.

O Trabalho de Brian K. Vaughan, Pia Guerra e José Marzan Jr. continua no mesmo nível da edição passada, até melhor.

Agora vou ficar ansiosa pra ler o resto :( Lancem logo o 3º volume Panini! Não quero ser obrigada a ler scans pra matar a lombriga da curiosidade.

Veja mais sobre a série no site da Panini / Vertigo e compre na Comix ou na LigaHQ

6
set
2010

Depois dessa loucura de febre de vampiros por causa da saga Crepúsculo, coisa que acontece de tempos em tempos na industria do entretenimento quando algum filme do genêro é lançado (vide Entrevista com o Vampiro), alguma coisa de boa tinha que sair disso. Aos poucos ótimas histórias vão aparecer por aí, como é o caso de American Vampire.

Criada pelo escritor e roteirista Scott Snyder e ilustrada pelo nosso brasileiro Rafael Albuquerque, essa série conta com a ilustríssima escrita de Stephen King, meu ídalo (sic) de muitos anos. Quem leu A Hora do Vampiro (ou Salem’s Lot, que é o nome real e bem melhor que esse nome em português) sabe que King destrói na hora de criar uma atmosfera densa e cruel com vampiros.

O universo de American Vampire gira em torno de um vampiro americano (óbvio, Larissa) chamado Skinner Sweet, que é completamente diferente da parentaiada européia. Mas isso ainda não fica tão claro no primeiro volume, então não vou entregar o ouro ;P Só que cada volume contem 2 histórias: as de Pearl, a primeira pessoa transformada por Sweet para ser vampiro que são escitas por Snyder e as outras do vampiro petulante Sweet, escritas por King.

A Chance Grande

American Vampire 1 - Pearl

Tudo começa com a personagem Pearl, uma bela jovem tentando a carreira artística em Hollywood na década de 20 que procura sempre novas oportunidades para alavancar a sua carreira mas acaba caindo em uma cilada. Os primeiros quadros já tem cenas cruéis e que você não vai entender nada se não ler até o final. Lógico.

Mas a grande sacada fica por conta da inocência da moça. As palavras que acompanham esses primeiros quadros sozinhas já garantem a qualidade da HQ, lendo o resto então é sucesso. Só que eu não sei se tive uma certa identificação com a personagem, mas esse jeito bobo de falar das coisas que gosta e do porque querer alcançar um objetivo me lembrou eu mesma, que foda isso. Até mesmo o comportamento dela perante a emboscada: tão tonta que me imaginei ali. Pois é.

Sangue Ruim

American Vampire - Sweet

Sangue Ruim conta como Sweet se transformou em vampiro e qual foi a situação. Antes ele era ladrão de bancos, e tudo acontece em uma emboscada feita por seus comparsas para ele ser libertado da iminente condenação de seus crimes. Mas como sempre as coisas não saem perfeitas do jeito que devem ser e é isso que dá sentido a vida, que nesse caso não é tão viva assim.

Ah, o jeito de King pra escrever, seus dialogos, todo aquele ódio cuspido em cada palavra entre os personagens… Eu tava com uma saudade disso! Juntando esse dom com o personagem em questão, só poderia dar certo.

Resumindo: American Vampire é INCRÍVEL. Não só nas ilustrações cheias de estilo do Rafael Albuquerque (este que me disse pelo twitter que talvez saia esse ano aqui no Brasil \o/), mas no roteiro. É demais. Leia como se não houvesse amanhã, principalmente se você está cansado de vampirinhos fofos e brilhantes, o vol. 1 é espetacular.

10
set
2010

Sabe, a minha primeira experiência com o Constantine foi o filme com o Keanu Reeves, logo que saiu no cinema (oh, sim, eu leio quadrinhos de fato não tem muito tempo). E nessa época eu não tinha o vício em fuçar tudo o que me interessa até os mínimos detalhes e descobrir mesmo do que se tratam. Eu me conformei com o filme e aquilo estava bom e suficiente pra mim, mesmo lendo diversas reclamações sobre a profanação da personagem principal de Hellblazer que não tinha nada a ver com o Constantine do filme.

Ainda acho um filme muito bom, se vocês querem saber, mesmo depois desses anos todos (já fazem 5 ANOS, HALP). Mas né? A gente começa a crescer e ficar viciado em café, tem pouco sono e resolve ler quadrinhos e livros no trem e na cama antes de dormir, já que eu não tenho mais sono decente faz um tempo. Foi aí que eu me tornei mais curiosa ainda e mais viciada em informação.

Ok, aí estou em 2010 e a Panini lança um encadernado com duas histórias de Hellblazer. Muitos queridos por aí comentaram que o nível já foi bem melhor na época do Warren Ellis e na do Delano. Pois bem, eu ainda não li. Estava me lembrando, acho que a única coisa que eu realmente degustei de Hellblazer é aquela história caótica que está em Sandman, “Sonhe um Pequeno Sonho Comigo”, escrita pelo Gaiman. Gostei demais, apesar de ser difícil de digerir e Constantine estar mais vulnerável que o normal nessa saga por estar ao lado do Sonho e por se deparar com sua mulher Rachel, em frangalhos.

John é um cara perturbador, e só a sua ilustração nas páginas te dao uma inquietação ridícula, principalmente por causa daquele sorriso cínico. É a típica personagem que embanana a sua cabeça, que é necessário ler e reler pra tentar entender.

A primeira história de Hellblazer – Congelado é “Morto e Enterrado”. Não é mais do que um dia normal de John. Pra variar está no bar prestando atenção ao caos sutil ao seu redor. E nessa prelúdio que ele descobre seu próximo destino, para assim chegar em “Congelado”.

Parado no meio de uma tempestade de neve, os fatos ocorrem dentro de um bar de estrada, que serve como refúgio pra se aquecer. E a violência e a desgraça sempre acontecem perto de Constantine, é incrível. Mas devo dizer que ele também adora provocar e é bem petulante. Se você gosta de histórias realistas mas com um toque meio espiritual, Congelado é bem bacana.

E pra finalizar, o último arco do encadernado é “Almofadinhas e Ingleses”. Uma viagem ao passado punk e malandro de Constantine, e sua própria influência nos fatos. É bem mais engraçadinha e inconsequente que o tom normal exatamente porque é uma história fora do contexto do que conhecemos do Constantine, só me pergunto porque está nesse encadernado. Aparentemente não tem relação nenhuma com o Congelado, então fiquei sem entender.

Por fim: Congelado é muito bom. O arco é um tapa na cara no que se diz respeito a fé, principalmente. Só não é melhor por algumas coisas sem explicação (como Almofadinhas e Ingleses estar ali). A impressão do encadernado é muito boa, a minha veio sem nenhuma falha, sem dizer que a capa mais durinha cumpre bem a sua função e está firme e forte depois de alguns dias na minha bolsa. Vale a pena ter pra quem gosta :)

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